Pescaria Brava, uma das cidades mais encantadoras do litoral sul catarinense, guarda em seu nome um legado de histórias e memórias que remetem à coragem e à resiliência dos primeiros habitantes da região. Localizada às margens do Complexo Lagunar, a cidade nasceu do encontro entre natureza, trabalho e cultura popular, forjando uma identidade marcada pela bravura diante dos desafios do mar e da vida comunitária.
Duas versões principais circulam entre os moradores sobre a origem do nome da cidade. A primeira está ligada à destemida natureza dos pescadores. As condições meteorológicas das lagoas e áreas costeiras, sobretudo em tempos de mau tempo, tornavam a pescaria uma verdadeira batalha de resistência. Ventos fortes, ondas agitadas e o açoite da chuva exigiam força e coragem daqueles que se lançavam ao mar em busca do sustento da família. Por sua ousadia e firmeza, esses pescadores passaram a ser vistos como “bravos”, e assim o nome Pescaria Brava ecoou como marca de luta e bravura. A segunda versão, de caráter mais social e folclórico, relata que em tempos antigos a divisão do pescado frequentemente gerava disputas acaloradas. Após horas de árduo trabalho, a partilha do peixe acabava em discussões que, por vezes, evoluíam para brigas. Dessa memória popular surgiu a expressão “pescaria brava”, associada ao clima de tensão e conflitos em torno da pesca. Ambas as histórias, ainda hoje transmitidas de geração em geração, carregam o valor cultural de um povo que construiu sua identidade a partir da coragem, da solidariedade e da superação das adversidades.
No dia 15 de maio de 1857, Pescaria Brava foi transformada em um dos primeiros distritos criados pela Assembleia Legislativa Provincial de Santa Catarina, pela Resolução nº 437, recebendo a denominação de Freguesia de Bom Jesus do Socorro. O sonho da emancipação política acompanhou a comunidade por décadas. Essa luta ganhou força na década de 1990, com a atuação de Enaldo Cardozo de Souza, escrivão de cartório e idealista que herdou do pai o desejo de ver Pescaria Brava elevada à condição de município. Em 11 de fevereiro de 1995, foi formada a primeira Comissão Emancipacionista, presidida por Enaldo, que apresentou o pedido à Assembleia Legislativa. O plebiscito de 17 de dezembro do mesmo ano teve maioria favorável, mas a falta de quórum inviabilizou o processo. Alguns anos depois, uma nova comissão, presidida por Antônio Avelino Honorato Filho, retomou o movimento emancipacionista. Após intensos esforços, em 29 de junho de 2003 foi realizado novo plebiscito, desta vez com êxito. Poucos dias depois, o governador do estado sancionou a Lei nº 12.690/03, criando oficialmente o município em 25 de outubro de 2003. Apesar da contestação por meio de Ação Direta de Inconstitucionalidade, julgada em 2009 pelo ministro Marco Aurélio de Mello, a decisão foi arquivada, assegurando a emancipação. Em 2012 ocorreram as primeiras eleições municipais, elegendo como prefeito Antônio Avelino Honorato Filho e como vice Enaldo Cardozo de Souza, duas figuras centrais no processo histórico.
Embora seja o município mais novo de Santa Catarina, Pescaria Brava é considerado um dos povoados mais antigos do estado, com registros de colonização portuguesa há mais de 300 anos. Assim, sua história mescla tradição e novidade, passado e presente, compondo um retrato singular de resistência cultural. O nome Pescaria Brava, seja pela bravura diante da natureza, seja pelas disputas nas partilhas do pescado, traduz o espírito guerreiro de sua gente. Um povo que transformou dificuldades em identidade, e que hoje se orgulha de carregar no próprio nome a memória de luta, força e perseverança. .”
Texto adaptado de:
— IBGE. Histórico de Pescaria Brava. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/brasil/sc/pescaria-brava/historico. Acesso em: 25 jun. 2025.
— Prefeitura de Pescaria Brava (SC). Página Institucional. Disponível em: https://pescariabrava.sc.gov.br/pagina-5058/. Acesso em: 25 jun. 2025.